Por Rob Sherman, Diretor de Privacidade

As palavras “reconhecimento facial” podem fazer com que algumas pessoas se sintam desconfortáveis, evocando visões de um mundo de ficção científica antiutópico. Alguém pode usar o reconhecimento facial para identificar estranhos na rua? As instituições estão reunindo bancos de dados de imagens em massa que podem ser usados para invadir a privacidade ou os direitos de uma pessoa?

Conforme agências governamentais e não governamentais, empresas e outras instituições usam a tecnologia de reconhecimento facial de novas formas, as pessoas querem entender como a privacidade delas está sendo protegida e quais são suas escolhas sobre como a tecnologia é utilizada.

Assim como várias outras ferramentas, o reconhecimento facial pode ser usado para bons propósitos, como ajudar as pessoas a desbloquear com segurança seus dispositivos móveis, acessar suas contas bancárias e realizar pagamentos digitais. Pode ajudar as pessoas a organizar e compartilhar suas fotos com amigos. A tecnologia está até sendo usada para encontrar crianças desaparecidas e sequestradas, e para ajudar autoridades aduaneiras a confirmar a autenticidade de passaportes.

Mas também pode ser usada de formas preocupantes. Algumas pessoas têm levantado algumas preocupações sobre como as autoridades utilizam a tecnologia. Outras já chamaram a atenção para o potencial de preconceito racial, argumentando que os sistemas de reconhecimento facial têm uma maior probabilidade de identificar incorretamente ou falhar ao identificar afro-americanos do que pessoas de outras raças. E, embora existam propostas para regulamentar o reconhecimento facial, não há um consenso sobre como fazer, e algumas abordagens têm sido criticadas por falhar em se concentrar nas possíveis utilizações mais nocivas.

Essa tensão não é nova. A sociedade frequentemente aceita o benefício de uma inovação enquanto se esforça para entender e controlar seu potencial. “Tenha cuidado com a Kodak” foi a manchete de um jornal em 1888 sobre um equipamento barato que chegou no mercado, tornando a fotografia disponível para as massas. Eles chamaram a máquina de “novo terror para o piquenique”. Confrontada pela fotografia amadora pela primeira vez, a sociedade poderia restringir essa tecnologia, que mudou fundamentalmente a forma que a história foi documentada por mais de um século. Em vez disso, os reguladores realizaram ações sobre a utilização que suscitava preocupações, por exemplo, proibindo perseguições ou permitindo que as pessoas iniciassem processos judiciais por invasão de privacidade, em vez de exigir licenças para usar a “tecnologia da câmera” ou solicitar formulários de permissões por escrito antes de uma pessoa aparecer em uma foto. Como resultado, as pessoas se tornaram mais familiares com essas primeiras câmeras, as normas sociais evoluíram e o mundo decidiu que os benefícios da fotografia pessoal superavam muito os riscos.

Reconhecimento facial e o Facebook

No Facebook, o reconhecimento facial ajuda as pessoas a marcarem fotos com os nomes de seus amigos. Quando você habilita o reconhecimento facial, nossa tecnologia analisa os pixels das fotos nas quais você já está marcado e gera uma sequência de números que chamamos de “template”. Quando fotos e vídeos são carregados em nosso sistema, comparamos essas imagens aos “templates”.

Quando apresentamos esse recurso pela primeira vez em 2010, não havia padrões da indústria sobre como as pessoas podiam controlar o reconhecimento facial. Decidimos notificar as pessoas no Facebook e fornecer uma forma de desativar o reconhecimento facial nas configurações da conta a qualquer momento.

Recentemente, anunciamos novos recursos que usam a tecnologia de reconhecimento facial. As pessoas agora podem encontrar fotos em que elas aparecem, mesmo quando não estão marcadas, tornando possível gerenciar sua privacidade de novas formas. Também é possível saber quando alguém está usando sua imagem como uma foto de Perfil — o que pode ajudar a impedir que alguém se passe por você. Além disso, pessoas com deficiência visual agora podem ouvir quem está nas fotos encontradas no Facebook. Assim como em 2010, analisamos como informar as pessoas e oferecer a elas opções sobreo uso da tecnologia.

Nossa responsabilidade

Quando se trata de reconhecimento facial, o controle é importante. Ouvimos cuidadosamente o feedback das pessoas que usam o Facebook, assim como de especialistas no assunto. Acreditamos ter uma responsabilidade de criar esses recursos de forma a entregar o que a tecnologia promete, ao mesmo tempo evitando formas perigosas de utilização.

Nossa equipe tem trabalhado há mais de um ano para coletar e responder o feedback sobre o que as pessoas acham do uso desta tecnologia, e como podemos utilizá-la de forma mais responsável. As pessoas nos pediram para explicar mais claramente como funciona o reconhecimento facial e fornecer informações importantes sobre como iremos utilizá-lo no Facebook. Para responder a esse feedback, estamos informando as pessoas sobre atualizações no reconhecimento facial no Feed de Notícias, a porta de entrada do Facebook.

Também decidimos atualizar as configurações do Facebook. Sempre há questões sobre a atualização de configurações. Por isso, não tomamos decisões de maneira leviana. Aprendemos com base em pesquisas que as pessoas desejam uma forma de desativar totalmente a tecnologia de reconhecimento facial em vez de desativar para cada recurso. Nós sabíamos que, conforme introduzíssemos mais recursos usando essa tecnologia, a maioria das pessoas acharia mais fácil gerenciar uma configuração única do que navegar por uma longa lista de produtos para escolher quais queriam ativar e quais não desejavam utilizar. Nossa nova configuração é uma opção em que as pessoas dizem “sim” ou “não” para o uso dos recursos de reconhecimento facial. Algumas pessoas poderão criticar essa abordagem “tudo ou nada”, mas acreditamos que isso evitará que as pessoas tomem decisões entre opções eventualmente confusas.

Por fim, não estamos lançando, nem temos planos de lançar, recursos que identifiquem você para estranhos. Essa foi uma preocupação frequente que ouvimos das pessoas quando pesquisamos a respeito de novos recursos que utilizam a tecnologia de reconhecimento facial.

Avançando

Conforme as pessoas utilizam os recursos no Facebook que incluem o reconhecimento facial, aprenderemos mais sobre o que nossa comunidade pensa sobre ele. Aprenderemos também o que elas pensam dos controles que têm sobre a tecnologia. Continuaremos a desenvolver os controles com base nesse aprendizado e manteremos as pessoas informadas sobre o trabalho que estamos fazendo para inovar e usar com responsabilidade essa tecnologia no Facebook.

Claro, é muito cedo para saber se o reconhecimento facial seguirá o caminho da câmera fotográfica pessoal. Mas esperamos ansiosamente o feedback do público e continuaremos a trabalhar com outras empresas e instituições à medida que ouvimos e aprendemos mais.02