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Por Henry Silverman, Especialista em Operações

Nos últimos dois anos, nós ampliamos muito nossos esforços para combater notícias falsas: melhoramos nossas ações contra contas falsas e comportamentos inautênticos coordenados; estamos usando tecnologia e esforços humanos para combater o aumento da desinformação em fotos e vídeos; implantamos novas medidas para ajudar as pessoas a identificar notícias falsas e obter mais contexto sobre as histórias que veem no Feed de Notícias; e expandimos nosso programa de verificação de fatos para incluir 45 parceiros certificados que revisam conteúdo em 24 idiomas. No geral, estamos progredindo: diversos estudos apontam que esses esforços estão surtindo efeito e que a desinformação no Facebook diminuiu desde as eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2016.

Mas a desinformação é um problema complexo e contínuo, e temos muito trabalho a fazer. Com mais de um bilhão de publicações por dia no Facebook, precisamos encontrar outras maneiras para ampliar nossa capacidade de lidar com o tema. O trabalho que nossos parceiros de verificação de fatos profissionais fazem é uma parte importante da nossa estratégia. Mas há um desafio de escala neste trabalho. Simplesmente não há verificadores de fatos profissionais suficientes no mundo e, como todo bom jornalismo, a verificação de fatos – especialmente quando envolve a investigação de alegações sutis ou complexas – leva tempo. Queremos ser capazes de lidar com um volume maior de notícias falsas, e mais rapidamente.

Por isso, hoje, estamos iniciando um novo processo colaborativo com especialistas externos que nos ajudarão a encontrar novas soluções para combater as notícias falsas em larga escala. O objetivo desse processo é encontrar abordagens consistentes, endossadas por esses especialistas externos, que tenham potencial para nos ajudar a identificar e reduzir a distribuição de uma maior quantidade de desinformação de maneira mais eficiente.

Sabemos que isso não será fácil. Qualquer que seja nossa próxima ação, precisamos encontrar soluções que apoiem conteúdos originais, que promovam informações confiáveis e que permitam que as pessoas se expressem livremente. Logo, a questão é: como criar um modelo no qual conseguimos prestar um serviço dando às pessoas o direito de ver o conteúdo que desejam, ao mesmo tempo em que diminuímos a desinformação, sem fazer do Facebook o árbitro da verdade? Como garantimos um sistema complementar aos nossos programas de verificação de fatos existentes, para que os jornalistas profissionais usem seu tempo escrevendo reportagens originais sobre casos mais difíceis? Como podemos construir um sistema que não possa ser burlado ou manipulado por grupos coordenados de pessoas? Como podemos evitar que vieses pessoais interfiram nesses sistemas? E que outras medidas precisamos adotar para garantir que continuemos protegendo a capacidade de as pessoas se expressarem e as vozes das minorias?

Essas são algumas das questões que iremos explorar nos próximos meses.

Um processo colaborativo

Enquanto trabalhamos para expandir nossos esforços no combate à desinformação nos últimos dois anos, também fizemos extensas pesquisas e conversamos com especialistas externos para identificar abordagens adicionais que possam reforçar nossas defesas. Uma ideia promissora que estamos explorando seria contar com grupos de pessoas que usam o Facebook para apontar fontes jornalísticas que possam corroborar ou contradizer afirmações feitas em conteúdos potencialmente falsos.

Nos próximos meses, iremos nos basear nas sondagens que iniciamos sobre essa ideia, consultando uma ampla gama de acadêmicos, especialistas em verificação de fatos, jornalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil para entender os benefícios e riscos de soluções como essa. Compartilharemos com especialistas os detalhes da metodologia que estamos pensando para ajudá-los a ter uma ideia de onde estão os desafios e as oportunidades, e como eles nos ajudarão a chegar a uma nova abordagem. Também compartilharemos atualizações dessas conversas durante todo o processo e encontraremos maneiras de pedir feedback mais amplo de pessoas em todo o mundo que talvez não estejam no grupo principal de especialistas que participarão de mesas-redondas que vamos fazer.

Levar a luta contra a desinformação para o próximo nível é uma tarefa importante para nós. Há eleições em todo o mundo mês após mês, o que aumenta a importância de minimizarmos a prevalência de notícias falsas. Planejamos agir rapidamente nesse trabalho, compartilhando alguns dos dados e ideias que coletamos até agora com os especialistas que consultamos, para que possamos começar a testar novas abordagens o mais rápido possível.