Por Laura McGorman e Alex Pompe, do Data for Good

Quando planejam campanhas de saúde pública ou respondem a surtos de doenças, as organizações de saúde precisam de informações sobre o local onde vive a população que querem impactar, assim como informações em tempo real da região. No entanto, em grande parte do mundo, as informações do censo mais recente muitas vezes estão desatualizadas e dados das comunidades remotas são escassos.

Hoje, lançamos três tipos de mapas que ajudarão organizações sem fins lucrativos e universidades que trabalham com saúde pública a enfrentar surtos de doenças e alcançar comunidades vulneráveis com mais eficiência. Os mapas que estamos implementando — mapas de densidade populacional com estimativas demográficas; mapas de movimento populacional e mapas de cobertura de rede — ajudarão nossos parceiros da área de saúde a entender melhor onde as pessoas vivem, como estão se locomovendo e se possuem conectividade. Todos esses mapas, quando combinados com informações de sistemas de saúde, podem aprimorar a forma como organizações fornecem suprimentos e respondem a surtos.

“Epidemias representam uma ameaça crescente para vidas e meios de subsistência”, diz Vanessa Candeias, Gerente do Shaping the Future of Health and Healthcare do Fórum Econômico Mundial. “Reduzir seus riscos e impactos requer o uso de todas as ferramentas disponíveis”, complementa.

Para esse esforço inicial, nossos parceiros são: Direct Relief, FHI360, Harvard School of Public Health, Institute for Health Metrics Evaluation at the University of Washington, International Medical Corps, London School of Hygiene & Tropical Medicine, Malaria Atlas Project, the MRC Centre for Global Infectious Disease Analysis at Imperial College London, Northeastern University, Sabin Vaccine Institute, UNICEF, Wadhwani AI, o Banco Mundial, e o Forum Econômico Mundial.

Mapas de densidade populacional de alta resolução com estimativas demográficas

Há dois anos, começamos a trabalhar com a Universidade de Columbia para utilizar imagens de satélite e dados de censos para construir os mais detalhados mapas populacionais do mundo a fim de aperfeiçoar projetos de conectividade. Depois de trabalhar com grupos como a Cruz Vermelha Americana e o seu projeto Missing Maps, percebemos que esses mapas poderiam também ter profunda utilidade para a saúde pública.

Estamos lançando hoje mapas de alta resolução que estimam não apenas o número de pessoas que vivem dentro de 30 metros quadrados, mas também fornecem informações de dados demográficos, incluindo o número de crianças menores de cinco anos, o número de mulheres em idade reprodutiva, bem como populações jovens e idosas. Esses mapas não são elaborados usando dados do Facebook – em vez disso, contam com a combinação do poder de leitura de inteligência artificial com imagens de satélite e informações de censo. Ao combinar essas bases de dados disponíveis publicamente e comercialmente com os recursos de inteligência artificial do Facebook, criamos mapas populacionais que são três vezes mais detalhados do que qualquer outra fonte.

As organizações de saúde já estão usando essas informações para alocar recursos em áreas onde as populações que pretendem beneficiar vivem. Em Maláui, por exemplo, esses mapas ajudaram a Cruz Vermelha americana e o projeto Missing Maps a identificar áreas com e sem concentrações de pessoas para que pudessem alocar três mil profissionais de saúde que difundiram informações sobre vacinação de forma mais eficiente durante uma campanha contra sarampo.

Imagem: O mapa acima mostra a distribuição de mulheres em idade reprodutiva (entre 18 e 49 anos de idade) na Tanzânia, projetadas através de uma combinação de dados do censo e imagens de satélite

Mapas de movimento populacional

Muitas vezes, autoridades de saúde pública enfrentam desafios para prever onde surtos de doenças, como a malária ou a cólera, ocorrerão. No entanto, pesquisas inovadoras descobriram que o cruzamento de informações do sistema de saúde com dados de mobilidade humana pode fornecer informações valiosas sobre transmissão de doenças pelo contato entre humanos.

“Movimentos populacionais são cruciais para a propagação de muitas infecções — da gripe ao sarampo”, afirma o Dr. Adam Kucharski, professor assistente de Modelagem Matemática da London School of Hygiene & Tropical Medicine. “Mas, historicamente, tem sido muito difícil para os pesquisadores de doenças obterem informações sobre esses padrões de movimento”.

Imagem: O mapa acima mostra o movimento diário entre a Grande Londres e áreas vizinhas. Esses dados são úteis para organizações de saúde pública analisarem a disseminação de doenças transmissíveis, como a gripe

Nossos mapas de movimento populacional agregam informações de pessoas que estão usando o Facebook em seus celulares com os Serviços de Localização habilitados, fornecendo imagens em tempo real de padrões de mobilidade. As organizações parceiras podem combinar esses dados com informações sobre casos de doenças para melhor compreenderem onde é provável que ocorra o próximo caso de cólera ou malária resistente a medicamentos. As informações aprimoradas obtidas por este modelo de previsão permitem que os sistemas de saúde se antecipem a surtos e implementem tratamentos onde provavelmente serão mais necessários

“Esse tipo de dado pode ser integrado em nossos modelos epidemiológicos para nos ajudar a estimar com que velocidade uma doença pode se espalhar e onde colocar recursos para contê-la”, diz Caroline Buckee, professora adjunta de Epidemiologia da Harvard TH Chan School of Public Health.

Mapas de cobertura de rede

Na última década, o aumento da disponibilidade de tecnologias móveis de saúde expandiu drasticamente o acesso a informações de saúde. Contudo, muitos países ainda têm regiões com pouco ou nenhum acesso à internet. Ao mesmo tempo, oficiais de saúde pública têm recursos limitados para realizar visitas de casa em casa, bem como informações limitadas sobre se as populações-alvo podem ser alcançadas digitalmente.

Como a maioria das pessoas usam o Facebook em smartphones, podemos criar mapas em tempo real que mostram às organizações de saúde se é possível informar as pessoas via mensagens online antes de atividades como datas de vacinação ou distribuição de mosqueteiros. Isso permite que as equipes de saúde pública saibam se outras formas de comunicação são necessárias, atingindo o máximo de pessoas com o menor custo possível.

Imagem: O mapa acima mostra a densidade de cobertura da rede 3G em áreas da República Democrática do Congo afetadas pelo surto de Ebola mais recente

Esperamos que estes Mapas de Prevenção de Doenças sejam um recurso valioso para organizações de saúde pública e que este trabalho ajude a aprimorar a eficiência na prestação de serviços de saúde e resposta a epidemias. “Esse esforço é também um passo positivo para aproveitar todo o potencial dos dados de setores público e privado, a serem combinados para prever epidemias”, ressalta Candeis. Alinhado com o terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável estabelecido pela Nações Unidas, o de melhorar a saúde para todos, esperamos que nossos parceiros usem esses mapas para aprimorar os resultados de programas de saúde pública em comunidades de todo o mundo.

Nossos mapas de densidade populacional em alta resolução podem ser encontrados em nossa página Humanitarian Data Exchange. Novos parceiros interessados em usar os dados do mapa de movimento populacional ou do mapa de cobertura de rede podem entrar em contato pelo e-mail diseaseprevmaps@fb.com. Para saber mais, visite nosso site Data for Good.

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